O que é tricotilomania: guia completo

De acordo com o critério estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a tricolotomania se enquadra como uma síndrome de ordem psiquiátrica, que envolve desordens de personalidade e comportamento. De acordo com a classificação internacional (CID 10 63.3), é definida como a perda de pelos e cabelos consequentes recorrente impulsividade do indivíduo ao puxá-los.

A OMS e a tricotilomania

A OMS ainda determina que esse tipo de comportamento geralmente se demonstre precedido de uma sensação psicológica de crescente tensão e urgência, sentimento este que só pode ser aliviado ao se efetuar o gesto de puxar tais partes do corpo. Após essa prática ser realizada, observa-se então um quadro de relaxamento ou alívio.

O relatório elaborado pela instituição ainda estabelece a conjugação do diagnóstico com outras síndromes quando há a observância de outros tipos de comportamentos repetitivos associados à sindromes de ordem psicológica (como o TOC – Transtorno Obsessivo compulsivo).

Origem da palavra tricotilomania

A expressão tricotilomania deriva de três palavras de origem grega. Trico tem seu significado derivado do grego e significa “pelos ou cabelo”. Já tillo deriva do verbo “arrancar”. Por fim, mania tem o significado de “estado de loucura”

Sintomas

Como já descrito acima, os sintomas frequentes são associados à necessidade compulsiva da prática de puxar os pelos ou cabelos do próprio corpo. Geralmente tal quadro é ligado a uma relação de necessidade inexplicável e urgente, com posterior sensação de satisfação após o ato. Não há distinção entre o tipo de pelo a ser puxado ou retirado, podendo ser relativo a cabelos ou qualquer pelo do corpo.

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Desse modo, os sintomas mais frequentes envolvem quadros de neurodermite, eczema, dermatofitose (micose supercial) ou, até mesmo, alopecia (ausência de cabelos).

A retirada dos pelos pode ser em estado de consciência ou não, podendo ser realizado durante o sono ou estados de inconsciência. Na maioria dos casos também há a observância de falhas em determinadas áreas, como o couro cabeludo e as sobrancelhas.

Causas

De acordo com uma série de relatos e estudos, as causas desse distúrbio ainda são indeterminadas e desconhecidas. Porém, por se tratar de uma síndrome de ordem psiquiátrica, pode vir a ser decorrente de um quadro de ansiedade com caráter psicossomático, bem como pode ser relacionada a anormalidades cerebrais dos mais variados tipos. A literatura ainda aponta que esse tipo de comportamento pode estar associado a quadros depressivos ou de ansiedade, em estágios agudos ou crônicos.

Diagnóstico

Em se tratando de um distúrbio de ordem psicológica ou psiquiátrica, o diagnóstico será dado após consulta médica especializada. Não existe informação relativa a qualquer tipo de exame específico realizado nesse tipo de síndrome, cabendo apenas a observação por meio de diagnóstico clínico. Em quadros de alucinação do paciente, o diagnóstico é descartado.

Possíveis complicações

Em se tratando de uma desordem associada a comportamentos compulsivos, a tricolotomia pode desencadear uma série de complicações. Observa-se a piora em quadros depressivos e ansiosos.

A presença de falhas e problemas de cabelo pode acarretar problemas de autoestima e complicações variadas. Ainda nesse sentido, é comum se observarem problemas dermatológicos e capilares nas regiões atingidas, associados à recorrência do comportamento, como a dermatite e o afinamento de cabelos e pelos. Também há notícias do aparecimento de caspa nos locais atingidos.

Algumas vezes, por se tratar de uma atividade recorrente, há a possibilidade de a área afetada perder os pelos de forma permanente.

Tratamento

Por se tratar de uma disfunção de origem desconhecida e de trato psicológico ou psiquiátrico, o tratamento recomendado envolve o acompanhamento profissional com especialistas na área.

Ainda há a recomendação para a associação do tratamento com dermatologistas, principalmente no sentido de reparar os danos acometidos, seja na administração de medicamento para acelerar o processo de crescimento dos pelos e cabelos retirados ou para tratar as áreas possivelmente danificadas.

Nesse sentido, há relatos de melhora com o auxílio de medicação antidepressiva ou neuroléptica (antipsicóticos). Lembramos que qualquer tipo de medicamento só pode ser prescrito por médico habilitado e mediante acompanhamento regular.

Um tratamento difundido atualmente que tem se tornado muito popular e eficaz nesse tipo de ocorrência é a chamado “treinamento de reversão de hábitos”. Tal método consiste na identificação de quadros de ansiedade e estresse pelo paciente, com a adoção de novos comportamentos inseridos. Desse modo, tais situações são aliviadas em forma de compensação, de tal forma que a nova atividade inserida passe a substituir a retirada dos pelos e cabelos. A base teórica para tal comportamento se fundamenta na ideia de se identificar as eventuais causas de tal disfunção de forma direcionada e criando novos mecanismos de alívio e distração.

Prevenção

Por se tratar de uma desordem de cunho psicológico ou psiquiátrico, tal comportamento não tem previsibilidade ou pode ser antevisto, o que inviabiliza um diagnóstico preventivo eficaz. Por comumente estar associada a quadros de estresse, depressão e ansiedade, recomenda-se o acompanhamento ao perceber qualquer tipo de sinal destes três indicativos.

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