Escalpelamento: conheça mais sobre essa dura realidade

Para que você conheça mais sobre esse assunto tão doloroso e, em alguns casos, masoquista, vamos começar falando de escalpelamento como símbolo na ficção. E então, você perceberá que isso, nada mais é, que a arte imitando a vida real. Na sequência, falaremos sobre o assunto na história, para, enfim, tratar de casos no Brasil.

Escalpelamento: conheça mais sobre essa dura realidade

Cinema: o escalpelamento como vingança

O cineasta, roteirista e ator estadunidense Quentin Tarantino, um dos mais aclamados da atualidade, quando estreou o filme “Bastardos Inglórios”, em 2009, trouxe às telas a apavorante imagem do escalpelamento.

Resumo da trama: os Bastardos Inglórios consistem em um grupo de oito homens liderado pelo tenente americano Aldo Raine (Brad Pitt). Eles estão na França, durante a Segunda Guerra Mundial, à caça de nazistas. Quando alcançam um soldado alemão, depois de matá-lo, escapelam-no

Raine diz ser um descendente bastardo de mãe apache, por isso traz consigo traços dos costumes autóctones americanos. Ou seja, costumes originais de americanos legítimos, os chamados índios apaches.

Vingam-se dos nazistas com o mote de vingança pelas minorias, neste caso, compostas pelos judeus. O enredo do filme reescreve a história, pois os bastardos conseguem armar uma emboscada para Hitler e matá-lo.

Mais que uma vingança, o escalpo era um troféu. Tarantino também transporta para a ficção cenas de escalpelamento muito bem produzidas, causando sensações de desconforto e horror a quem está assistindo ao filme.

Há quem desista de acompanhar a história, abandonando a tela, nitidamente com aversão à cena, até mesmo da sala de cinema, por não suportar ver as cabeças ensanguentadas quando a parte de cima é arrancada.

Escalpo: um troféu de guerra

A avulsão do escalpo do inimigo não foi invenção de roteirista famoso, não. Foi prática de guerra Nos Estados Unidos.

Século XIX, época de Velho Oeste. Os povos sioux e apache, em resistência à massiva chegada dos europeus, muitas vezes tiveram de enfrentar batalhas para evitar a invasão em suas terras.  No fim, a vitória foi dos estrangeiros, restando ao povo que ali habitava uma porção ínfima de terra.

Século XVII, viajantes europeus na América relatavam em manuscritos – acondicionados em acervos de grandes bibliotecas – sobre o escalpelamento que viviam na colônia. Quando capturados por um membro da aldeia local, geralmente durante ou depois de uma batalha, eram feitos cativos e, quando não eram degolados, tinham seu escalpo arrancado.

Dando sequência ao destino do prisioneiro europeu, as aldeias o preparavam para ser parte de seus rituais antropofágicos. Rituais em que a refeição era um prisioneiro de guerra, por isso do nome, que quer dizer comer carne humana.

O nome ao ritual foi dado pelo europeu é de origem grega: ‘anthropo’, que significa ‘homem’, e ‘phagia’, que significa ‘comer’.

Os autóctones acreditavam que o ritual lhe traria o conhecimento do inimigo pela ingestão, passariam assim a absorver tudo o que ele sabia, cultura, informações diversas, o que facilitasse na defesa de seu território invadido.      

Alopecia cicatricial: uma realidade recorrente no Brasil

A gravíssima falha de gestões governamentais no que diz respeito a políticas públicas de segurança para o povo, já fez três vítimas até março deste ano. O escalpelamento, ou alopecia cicatricial, configura mais um dos tantos cenários de abandono e descaso com os cidadãos.    

A precariedade do meio de transporte disponível para as populações ribeirinhas da Região Norte do país é a principal causa de escalpelamentos de mulheres e crianças que, por terem os cabelos compridos, sofrem frequentemente acidentes – muitas vezes fatais.

Como se não bastasse o risco de morte por afogamento por falta de manutenção dos barcos, objetos fáceis de quebrar e afundar, o motor do transporte fica exposto sem nenhuma proteção, o que oportuniza os acidentes.

Em movimento no rio, o vento é mais forte e, somado a tração do motor, os cabelos de muitas mulheres e crianças são puxados. É neste movimento que seus escalpos são arrancados. O sofrimento das vítimas é de tamanho imensurável.

Devido à dificuldade de acesso à região e à carente condição social das vítimas, marginalizadas pelas gestões públicas (ir)responsáveis, até hoje nada foi feito para que fosse dado um ponto-final a esses acidentes que resultam em escalpelamento.

Os moradores da região, desprovidos de instrução, desde crianças, não têm meios de conseguir encontrar uma solução. São pessoas que não são apenas carentes no sentido monetário. São carentes de serem lembradas de que também são gente.

A condição social de marginalização e abandono em que são deixadas faz com que essas pessoas acreditem que direitos de todo cidadão não cabem a elas.

Mais grave ainda é haver pessoas que apoiem a não assistência a essa população porque vê apoios financeiros e sociais a comunidades em situação de pobreza um benefício, e não como direito. Uma visão incoerente, que se nega a seguir exemplos de muitos países com alto IDH.

Em Luxemburgo, por exemplo, cuidar da população mais pobre é prioridade do governo, o que inclusive ajuda a movimentar a economia do país. As políticas públicas de lá cobrem 100% das residências, compromisso com a população que não vemos por aqui.

Você já tinha ouvido falar de escalpelamento?

Se tiver mais alguma coisa que queira saber sobre o tema escalpelamento, é só entrar em contato com a JetHair. Deixe sua mensagem logo abaixo nos comentários. 

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