O que pensam pessoas que sofrem de tricotilomania

Você sabe o que é tricotilomania? Quais são os sintomas dessa condição? Nesse artigo falaremos tudo sobre a tricotilomania e o que pensam as pessoas que sofrem de tricotilomania.

O que pensam pessoas que sofrem de tricotilomania

O que é tricotilomania?

A tricotilomania é um transtorno psicológico mais conhecido por seus sinais do que pelo seu nome. As pessoas que sofrem de tricotilomania de controle de impulsos arrancam fios capilares para controlar o nervosismo e a ansiedade.

Algumas pessoas enrolam os fios no dedo para depois puxá-los. Já em casos mais graves, acabam ficando com grandes falhas ou até calvas. Outras pessoas também acabam comendo o fio de cabelo arrancando-o e isso é conhecido como tricotilofagia.

As pessoas que sofrem de tricotilomania sabem que esse comportamento não é saudável, porém não conseguem resistir ao impulso. Esse comportamento se inicia na infância ou adolescência e pode durar por toda a vida, levando-as a uma calvície precoce.

Quando a perda capilar fica mais visível os indivíduos acabam se isolando socialmente e isso agrava mais ainda a sua baixa autoestima, ansiedade e depressão.  Estudos apontam que de 0,6% a 3,6% da população há pessoas que sofrem de tricotilomania.

De acordo com o psiquiatra Caio Borba Casella, as pessoas desenvolvem essa doença quando lidam com situações emocionais consideradas como difíceis. “Esses pacientes relatam um alívio ao arrancar os fios, ainda que isso possa trazer prejuízos no futuro.”

Estudos apontam que de 75% a 90% das pessoas que enfrentam a tricotilofagia são do sexo feminino.

Por mais que essas pessoas não se isolem, críticas também causam muito efeito agravando os fatores que desencadeiam a tricotilofagia e aumentam a frequência do arrancar os fios ao invés de reduzi-la. Geralmente, esse tipo de condição exige uma cirurgia para remover o novelo de cabelos que se acumulou no estômago até os intestinos.

Além da cirurgia, também é feito uma terapia comportamental que é conhecida como treinamento de reversão de hábitos. Com essa abordagem, pessoas que sofrem de tricotilomania, aprendem a identificar porque e quando elas tiveram a vontade de arrancar os fios capilares.

Essa técnica também ajuda a pessoa a aprender formas mais saudáveis de relaxar e outros comportamentos para reduzir o estresse em momentos de grande tensão.

Além de ensinar esses comportamentos mais saudáveis, a terapia cognitiva comportamental também aborda qualquer pensamento distorcido que pode ser adicionado ao estresse. Medicamentos para a ansiedade também são usados como parte do tratamento para reduzir a impulsividade, depressão, ansiedade, compulsão e para melhorar o humor.

Uma vez recuperada dos traumas, há chances dos fios voltarem a crescer. Porém, esse processo pode demorar de dois a seis anos. Para aguardar tal processo é recomendado o uso de lenços, chapéus ou bonés para cobrir a área danificada ou raspar os cabelos.

Sintomas e causas

Esse hábito de arrancar os cabelos e comer pode causar:

  • Náusea;
  • Vômito;
  • Acúmulo de fios capilares no estômago;
  • Bloqueio gastrointestinal;
  • Sangramento interno;
  • Perda de apetite;
  • Dores abdominais.

As causas mais comuns da tricotilofagia são:

  • Transtorno obsessivo-compulsivo;
  • Depressão nervosa;
  • Transtorno de ansiedade generalizada.

Outros transtornos de ansiedade também podem desencadear essa doença, assim como a distimia, uma forma mais leve da depressão.

Os fatores de risco que aumentam as chances de ter tricotilofagia são:

  • Ter entre 11 a 13 anos;
  • Histórico familiar;
  • Sentir emoções negativas;
  • Transtornos como ansiedade, depressão e transtorno obsessivo compulsivo.

O que pensam pessoas que sofrem de tricotilomania?

Depois de saber o que é tricotilofagia, a seguir veremos o que as pessoas que sofrem de tricotilomania pensam.

Desde a infância, a universitária Karina de Assis, 23 anos, tem o hábito de arrancar fios de cabelo com as mãos. Em momentos de estresse ou ansiedade, esse ato se tornava cada vez mais recorrente. A situação foi piorando com o passar dos anos e chegou a um nível extremo do comportamento: ela ficou careca.

“Em qualquer momento complicado, tiro parte do meu cabelo. Isso ocorre quando estou sozinha. Eu arranco e não percebo. Quando noto, estou com um bolo de fios em minha mão”, diz Karina à BBC News Brasil.

Ela começou a ter esse hábito aos nove anos. “Descobri que fazer isso poderia me trazer alívio e foi assim que não parei mais”. Aos 16 anos de idade, Karina ficou completamente careca e é isso que ocorre com a maioria das pessoas que sofrem de tricotilomania. “Toda vez que eles ficam maiores, arranco. É mais forte que eu. Não consigo evitar” diz Karina.

Karina não lembra o motivo que a levou a arrancar os fios pela primeira vez. “Creio que tenha sido em alguma situação de grande estresse.” Karina iniciou tratamento com medicamentos que ajudam a controlar a ansiedade e isso a ajudou.

Como o seu tratamento foi realizado na rede privada, pois no SUS não havia previsão para conseguir atendimento com psiquiatra, em poucos meses, os medicamentos e o acompanhamento médico tiveram que ser suspensos porque a família de Karina não tinha mais condições para arcar com os custos.

“Logo que parei o tratamento, perdi todo o controle e voltei a arrancar os cabelos como antes.” Desde então, o cabelo dela foi reduzindo até que se tornou calva. A ausência dos fios prejudicou a autoestima dela que acabou tendo dificuldades para fazer amizades e sair de casa. “Sempre me perguntam o que eu tenho, muitas pessoas pensam que eu sou careca por estar em tratamento contra um câncer. Mas, quando falo o motivo real, elas dizem que sou maluca.”

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